EM 10 ANOS, MAIS DE 27 MIL MORTES

Um número assustador. E ainda mais grave quando entendemos que ele é consequência de 6,4 milhões de ACIDENTES DO TRABALHO registrados no Brasil na última década.

Eu poderia trazer aqui uma sequência interminável de estatísticas, gráficos e indicadores oficiais. Mas, sinceramente, os números por si só já dizem muito.

Depois de mais de 40 anos atuando no mercado de trabalho, sempre próximo das áreas de segurança, saúde e medicina ocupacional, aprendi uma coisa importante: acidente de trabalho não é algo inevitável ou “normal” da atividade humana. Na grande maioria das vezes, ele pode — e deve — ser evitado. Quando acontece, normalmente existe uma combinação de negligência, despreparo, falha operacional ou ausência de prevenção.

Um exemplo claro disso foi o rompimento da barragem de Brumadinho/MG, em 25 de janeiro de 2019. O desastre provocou 270 mortes, grave contaminação ambiental e prejuízos bilionários. As investigações oficiais apontaram diversas falhas, entre elas deficiência no monitoramento da barragem, fragilidade na gestão de riscos, interpretação inadequada de dados técnicos e insuficiência de medidas preventivas.

E isso nos leva a uma reflexão inevitável: esse acidente poderia ter sido evitado? Sim. Houve falhas? Várias. Então por que o Brasil ainda registra quase 2 mil acidentes de trabalho por dia — sem contar os casos que sequer entram nas estatísticas oficiais?

Segundo especialistas e órgãos responsáveis pela fiscalização, muitas empresas ainda enxergam investimento em segurança como custo, e não como proteção à vida. Em muitos casos, medidas de segurança só aparecem depois do acidente, da denúncia ou da fiscalização. Corrige-se o problema depois da tragédia, quando o correto seria impedir que ela acontecesse.

Por trás de cada acidente existe um rosto, uma família e uma ausência impossível de substituir. Preservar a vida humana não deveria ser apenas obrigação legal — deveria ser um compromisso moral de toda a sociedade. Que o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (27 de julho) não seja apenas uma data no calendário, mas um lembrete permanente de que nenhuma meta vale mais do que uma vida.

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